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Comprimido fantasma: por que alguns medicamentos aparecem nas fezes?

  • Foto do escritor: Vanessa Marsden
    Vanessa Marsden
  • 11 de ago.
  • 2 min de leitura

Encontrou um comprimido nas fezes? Entenda o fenômeno do comprimido fantasma e por que ele pode acontecer com medicamentos de liberação prolongada. Algumas pessoas reconhecem imediatamente o formato e concluem que o medicamento não foi absorvido. Outras chegam a pensar que aquilo pode ser um verme ou algum outro material estranho.

Mas existe uma explicação bem menos preocupante: em alguns medicamentos de liberação prolongada, o que aparece nas fezes pode ser apenas a estrutura utilizada para controlar a liberação do princípio ativo.

Esse fenômeno é conhecido como ghost tablet, ou comprimido fantasma.

Por que o comprimido aparece nas fezes?

Medicamentos de liberação prolongada são desenvolvidos para liberar o princípio ativo gradualmente, ao longo de várias horas.

Existem diferentes tecnologias para conseguir esse efeito. Em algumas formulações, o medicamento fica incorporado a uma matriz ou estrutura que não é completamente digerida pelo organismo.

À medida que o comprimido percorre o trato gastrointestinal, a água penetra nessa estrutura e o princípio ativo vai sendo liberado. O material restante pode conservar formato, tamanho e até alguns aspectos da aparência do comprimido original.

Depois, esse remanescente é eliminado nas fezes.

Por isso, encontrar algo semelhante ao comprimido não significa, por si só, que o medicamento atravessou o organismo sem funcionar ou que houve falha de absorção.


Quais medicamentos podem causar o “comprimido fantasma”?

Um exemplo bastante conhecido é a metformina de liberação prolongada, utilizada no tratamento do diabetes e de outras alterações metabólicas. Algumas apresentações, como o Glifage XR, podem deixar nas fezes um material semelhante ao comprimido ingerido.

O fenômeno também pode ocorrer com determinadas formulações de liberação prolongada de medicamentos como bupropiona, desvenlafaxina, venlafaxina e nifedipino.

Outro exemplo interessante é o Concerta, uma apresentação de metilfenidato que utiliza um sistema osmótico de liberação prolongada. Depois que o medicamento é liberado, a estrutura do sistema pode continuar pelo trato gastrointestinal e ser eliminada.

Isso não significa, porém, que todos os medicamentos de liberação prolongada produzam esse efeito. Diferentes apresentações utilizam diferentes tecnologias farmacêuticas.


Devo me preocupar?

Na maioria das vezes, quando esse fenômeno está previsto para aquela formulação, encontrar a estrutura residual nas fezes não representa um problema.

O importante é não interromper ou trocar o medicamento por conta própria simplesmente porque algo semelhante a um comprimido apareceu no vaso sanitário.

Por outro lado, se isso começar a acontecer repetidamente em associação com diarreia importante, alterações gastrointestinais ou mudança perceptível no efeito do tratamento, é adequado conversar com o profissional responsável pelo acompanhamento.

Também vale consultar a bula do medicamento: algumas formulações informam expressamente que parte da estrutura do comprimido pode aparecer nas fezes.


Uma aparência muito convincente

Talvez o aspecto mais curioso do comprimido fantasma seja justamente o quanto ele pode se parecer com o medicamento original. É fácil compreender por que alguém que desconhece o fenômeno conclui que o comprimido simplesmente entrou e saiu do organismo intacto.

Mas aquilo que vemos pode ser apenas o remanescente do sistema utilizado para liberar o medicamento gradualmente.

Conhecer o fenômeno evita sustos, interrupções desnecessárias do tratamento e até trocas de medicamentos baseadas em uma interpretação equivocada do que apareceu nas fezes.

 
 
 

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